Porque, pra viver de verdade, a gente tem que quebrar a cara. Tem que tentar e não conseguir. Achar que vai dar e ver que não deu. Querer muito e não alcançar. Ter e perder. Tem que ter coragem de olhar no fundo dos olhos de alguém que a gente ama e dizer uma coisa terrível, mas que tem que ser dita. Tem que ter coragem de olhar no fundo dos olhos de alguém que a gente ama e ouvir uma coisa terrível, que tem que ser ouvida. A vida é incontornável. A gente perde, leva porrada, é passado pra trás, cai. Dói, ai, dói demais. Mas passa.
esclarecimentos.
Acho que houve um conflito de idéias num dos posts recentes aqui do blog.
Quero deixar claro apenas um coisa: NUNCA que eu teria a ilusão de achar que todos os gays devem se assumir ou não são dignos de no mínimo amor próprio.
Primeiro – “Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é” quem sou eu pra julgar quão hostil é um ambiente familiar onde fulano ou cicrano são obrigados a conviver? Quem sou pra saber saber se vale a pena enfrentar um bairro, ou talvez uma cidade inteira sozinho por uma coisa onde não deva existir apoio suficiente pra esse indivíduo. Quem sou eu pra dizer o que alguém deve ou não deve fazer da sua própria vida?
Segundo – Se não fui claro o bastante no texto espero estar sendo agora. Eu simplesmente não CONCORDO com a decisão de esconder o que você é de verdade pra pessoas que não valem o mínimo de sua amizade, já que se não te aceitam como você é que tipo de amigo seria esse não é? Acho que ninguém é obrigado a tá levantando bandeira também não, respeitar sua natureza e ter orgulho de si mesmo basta. Mas o fato de não concordar não anula o outro fato que é o de ACEITAR a condição de vida de cada um. Aceito sim a decisão que as pessoas tomam sobre suas próprias vidas porque isso é respeito, e é bom e eu gosto.
Obrigado pela atenção.
Êxodo
Confesso que levei mais de um mês maquinando um post aqui pro blog. Pra ser mais exato 1 mês e 19 dias com um texto na cabeça feito de palavras soltas que por mais que eu tentasse junta-las de forma coesa para enfim apresentarem o mínimo de nexo, de nada valia o esforço. Difícil você saber o significado de algo, saber o ‘sentir’ desse algo, mas não saber fazer com que tenha sentido. Até hoje.
O título do texto encaixa perfeitamente com todo o resultado causado pelo emaranhado de sentimentos que me habitam. Como aprendemos na escola, êxodo em seu significado é: s.m. Saída; emigração em massa de um povo (ou de parte dele). E através da história vimos que a grande maioria desses êxodos foram causados por elementos externos, que forçavam a mudança do habitantes de certo local para outro. A diferença é que no caso aqui descrito, o êxodo não é da massa de um povo ou de parte dele, mas sim de apenas um, eu.
Nesses últimos dois meses eu visitei locais dentro de mim que nunca imaginei que existissem, poços tão fundos e tão frios que parecia óbvia a minha incapacidade de fugir e inevitável o meu apodrecer. Nada mais importava, nada mesmo, se nem eu importava mais para mim como o mundo poderia ter alguma chance não é mesmo? Me deixei levar pelo desespero do sentimento de impotência, de abandono e principalmente de solidão. Nunca em toda a minha vida senti algo tão latente como essa solidão que me segue até os dias atuais. Apenas, inocentemente, imaginava ter sentido algo que pudesse nomear como tal, mas estava enganado. E como num ato de salvação me agarrei nessa névoa como se minha própria vida dependesse disso.
Foram dias sem comer, sem dormir, sem sair do quarto, sem me olhar no espelho, sem querer ser eu, sem querer ter existido, sem querer. Com o passar do tempo, como tudo nessa vida, as coisas foram amenizando até alcançarem uma constante, mas nada passou. Está tudo aqui, meio desnorteado, dando sinais de vida dia sim dia não, mas ainda aqui.
Nunca em hipótese alguma cheguei a me julgar uma pessoa digna da qualidade de ruim, uma pessoa maldosa. Tenho que admitir que modéstia à parte tenho plena noção que não só meu coração, mas minha alma também é impregnada de elementos que fazem de mim alguém bom, do bem. Talvez pela educação que levei dos meus pais, ou por conta das amizades que me ajudaram a formar meu caráter, ou até mesmo por motivos astrológicos, não interessa, eu sou uma pessoa boa, e o melhor, eu sei disso. Mas infelizmente não foi o bastante pra evitar que eu errasse. E não foram 1 nem 2 erros, foram vários, foi um combo de pisadas na bola que colocaria qualquer filme de comédia dramática no chão. Fui atrapalhado. Vai ver sou atrapalhado. Mas não tinha o direito.
Sabe quando você tem algo em mente, algo que pensa que vai melhorar tudo, pratica o ato e de repente o resultado sai completamente diferente? Pois tem sido assim nos últimos meses pra mim. Cansei.
Aí onde entra o “meu” título.
Desapontei muitas pessoas, das quais chega dói de verdade imaginar que eu tenha chegado perto de causar algum mal a elas, dói imaginar também, tudo dói. Ouvi palavras das bocas de meus maiores ídolos, de parceiros que se não tivessem entrado na minha história não haveria história, e também ouvi palavras de bocas que desejo distância, a maior possível, e o pior que dessas bocas malditas não foram apenas insultos, foram palavras de moral. Lição de moral daquele que você quer distância não faz muito bem, vão por mim. Chego a tremer, juro pra vocês, ao realizar que quase fui o protagonista do maior dano causado à pessoa que eu digo, sem medo algum de estar enganado, que mais amo nesse mundo. E como dói, tanto que minha única saída foi o êxodo.
Não me venham vocês com pensamentos de como sou covarde em não encarar o próprio estrago, ou em como tenho coragem de deixar por isso mesmo e não provar o contrário a todos. O êxodo está aí para situações como essa, acontece quando o local não é mais habitável, não é mais possível viver nas condições que são oferecidas, então se procura outro ambiente, para então recomeçar. Pois de que adianta lutar uma guerra perdida? Um titulo de bravura? O rótulo da coragem? Será que esses adjetivos valem o esforço inútil e humilhante? Bom, eu não quero saber.
Já ouvi demais, já tentei demais, já chorei demais e o pior, já fiz chorarem demais. Alimento em mim uma saudade que rasga meu peito com lembranças lindas que são como navalha, rasga sem dó. Queria tudo de novo, talvez eu precise de tudo de novo, mas o que posso fazer? Olhares desconfiados e comentários degradantes nunca foram de me atingir, desde que quando feitos por estranhos, por pessoas irrelevantes, mas quando feitos pelos meus amados me atravessam o coração feito bala, mas bala de canhão mesmo. Como fingir que não estou vendo nada disso? De onde tirar todo esse sangue frio? Como fingir que não sinto nada num lugar onde transpiro sentimento por cada um? Melhor aceitar o real.
Tudo o que eu tenho está aqui, tudo o que construí, tudo o que me fez ser a pessoa que sou hoje, absolutamente tudo. E do nada, eu não sei mais como viver no meio desse meu tudo, não sei mais como ser eu, como reagir a estímulos, não sei estar na companhia do meu tudo. Talvez por não ser mais meu, por ter perdido, quem sabe… deixa pra lá.
Quando ninguém mais tem fé em você, é chegada a hora de fazer alguma coisa.
Então que seja feito.
#4
oh sweetheart…
Então quase vomito e choro e sangro quando penso assim. Mas respiro fundo, esfrego as palmas das mãos, gero energia em mim. Para manter-me vivo, saio à procura de ilusões como o cheiro das ervas ou reflexos esverdeados de escamas pelo apartamento e, ao encontrá-los, mesmo apenas na mente, tornar-me então outra vez capaz de afirmar, como num vício inofensivo: tenho um dragão que mora comigo. E, desse jeito, começar uma nova história que, desta vez sim, seria totalmente verdadeira, mesmo sendo completamente mentira. Fico cansado do amor que sinto, e num enorme esforço que aos poucos se transforma numa espécie de modesta alegria, tarde da noite, sozinho neste apartamento no meio de uma cidade escassa de dragões, repito e repito este meu confuso aprendizado para a criança-eu-mesmo sentada aflita e com frio nos joelhos do sereno velho-eu-mesmo:
Dorme, só existe o sonho. Dorme, meu filho. Que seja doce.
- Caio Fernando Abreu
”It’s a lie. It’s a bunch of sad strangers photographed beautifully, and… all the glittering assholes who appreciate art say it’s beautiful cause that’s what they wanna see. But the people in the photos are sad, and alone… But the pictures make the world seem beautiful, so… the exhibition is reassuring which makes it a lie, and everyone loves a big fat lie”.
Alice from “Closer”.
#3
“Que te dizer? Que te amo, que te esperarei um dia na rodoviária, num aeroporto, que te acredito, que consegues mexer dentro-dentro de mim? É tão pouco. Não te preocupa. O que acontece é sempre natural – se a gente tiver que se encontrar, aqui ou na China, a gente se encontra. Penso em você principalmente como minha possibilidade de paz – a única que pintou até agora, “nesta minha vida de retinas fatigadas”. E te espero. E te curto todos os dias. E te gosto. Muito.”
- Caio Fernando Abreu.
تنهایی
“(…) E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama.”
ps: o título está em persa. Graças a você.


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